Oeste paulista encerra jejum de 15 anos em Brasília e dobra força na Alesp

Oeste paulista duplica forças na Alesp e encerra isolamento de 15 anos em Brasília; confira o resultado

O oeste paulista encerrou oficialmente um hiato de 15 anos sem eleger um deputado federal com votação maciça e domicílio político na região. O resultado das urnas, com a eleição de Guilherme Piai (Republicanos) e Sâmia Bomfim (Psol), desenhou um cenário histórico para a Legislatura 2027–2031, garantindo ao menos duas vozes nascidas em Presidente Prudente na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), além de sepultar o isolamento regional.

Bancada federal dividida entre polos opostos

Na disputa pela vaga no Congresso Nacional, o destaque foi a ascensão de Guilherme Piai, eleito de forma direta com 182.328 votos em todo o Estado. Piai consolidou-se como o novo fenômeno da base local ao registrar uma votação expressiva em seu próprio berço político: obteve mais de 55 mil votos (46,63% dos votos válidos) apenas no município de Presidente Prudente, herdando o papel de deputado “da terra” focado no agronegócio e no desenvolvimento regional.

A bancada federal com DNA prudentino será completada por Sâmia Bomfim, reeleita com ampla margem ao conquistar 583.107 votos. Com o novo mandato, Brasília passará a ter uma representação regional nitidamente bipolarizada a partir de fevereiro de 2027, dividida entre o bolsonarismo/governismo de Piai e a oposição combativa de esquerda liderada por Sâmia.

Este avanço quebra um ciclo recente em que o oeste paulista sofria com a falta de identificação direta ou com a perda precoce de espaço de suas lideranças. Embora natural de Prudente, onde mantém vínculos familiares, Sâmia construiu sua militância e carreira eleitoral na capital paulista. Em seus dois primeiros mandatos (2018 e 2022), suas votações concentraram-se majoritariamente na Grande São Paulo. Apesar de ter destinado mais de R$ 11 milhões em emendas parlamentares para cidades do oeste paulista, sua atuação sempre foi vista sob o perfil de representação “por origem”, sem o forte apelo de voto local.

Eleito em 2022, com forte apoio de prefeitos e lideranças do oeste paulista, Fernando Marangoni (Podemos) atuou nos últimos anos como o principal canal de recursos federais da região. No entanto, no pleito, o parlamentar não conseguiu se reeleger. Mesmo obtendo 67.111 votos em todo o Estado, o desempenho foi insuficiente para atingir o quociente eleitoral exigido pelo seu partido, deixando-o fora da legislatura de 2027.

Histórico de ausência em Brasília

Na política regional, o desenho que sai das urnas encerra um longo “jejum” que vinha desde 2011, ano que marcou a saída simultânea dos últimos deputados federais de forte apelo e domicílio no oeste paulista: Dr. Talmir (PSD) e Paulo Lima (PSDB).

Dr. Talmir exerceu mandato na Câmara entre 2007 e 2011. Foi eleito no pleito de 2006 pelo Partido Verde (PV) com 60.407 votos, despontando como uma forte liderança regional de saúde e assistência. Já Paulo Lima foi o nome mais longevo da região em Brasília antes do hiato. Atuou na Câmara por cinco legislaturas consecutivas entre 1992 e 2011, alternando períodos como titular e suplente convocado, transformando-se no principal articulador político e empresarial da região no Congresso Nacional.

Com as saídas de Paulo e Talmir em 2011, a região mergulhou em um vácuo de representatividade direta que durou uma década e meia. Agora, o eleitorado local volta a restabelecer sua força política em Brasília, garantindo que as demandas do interior paulista voltem a ter protagonismo na bancada federal a partir de 2027.

Fim da solidão na Assembleia Legislativa

Já no que diz respeito à Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), o oeste paulista quebrou oficialmente um jejum de oito anos de “solidão” política de Mauro Bragato (PSD) e garantiu a expansão da força política regional para a legislatura que toma posse em 1º de fevereiro de 2027, pondo fim ao período em que a região dependeu de uma única cadeira no parlamento paulista, com a vitória também de Reinaldo Alguz (MDB).

A apuração das urnas confirmou a consolidação de uma bancada regional dupla de peso para os próximos quatro anos também em São Paulo, com Reinaldo Alguz, engenheiro com forte atuação histórica no oeste paulista, especialmente na região de Dracena, que conquistou 101.941 votos, enquanto Mauro Bragato garantiu sua reeleição para o histórico 12º mandato no parlamento paulista, com 78.733 votos.

Até o resultado recente, o oeste paulista enfrentava duas legislaturas consecutivas tendo Mauro Bragato como seu único deputado estadual eleito com domicílio e base eleitoral concentrados estritamente na região. No pleito de 2018, ele foi o único nome regional a assegurar uma cadeira titular, iniciando o isolamento político na Alesp a partir de março de 2019. Na eleição seguinte, em 2022, a história se repetiu de forma drástica. Dos 22 candidatos da região que tentaram uma vaga em São Paulo, apenas ele obteve votos suficientes para se eleger, mantendo a exclusividade na legislatura 2023–2027.

A última vez que o oeste paulista havia experimentado a força de ter mais de um representante em pleno exercício na Alesp foi durante a 18ª Legislatura (2015 a 2019). Naquele período, a região contava com três deputados estaduais eleitos de forma simultânea: além de Bragato e Alguz, Ed Thomas compunha o trio, mas posteriormente deixou sua cadeira para se eleger prefeito de Presidente Prudente.

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