A partir de 1º de novembro, os passageiros do transporte coletivo de Presidente Prudente passarão a pagar R$ 6,00 pela passagem de ônibus. A atualização, oficializada no Diário Oficial do município, eleva em um real a tarifa que permaneceu fixada em R$ 5,00 por quase quatro anos.
Cálculo da tarifa técnica e manutenção do subsídio
Apesar do acréscimo, a administração municipal manterá o pagamento da maior fração do custo do serviço para atenuar o impacto no bolso do trabalhador. Conforme levantamento divulgado pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Cooperação em Segurança Pública (Semob), o custo operacional real — denominado tarifa técnica — alcança R$ 15,23 por usuário.
Com o novo valor de R$ 6,00, os passageiros cobrem cerca de 39% da viagem, enquanto a Prefeitura assume a diferença superior a R$ 9,00 por passageiro por meio de subsídios públicos. Desde o último reajuste, em janeiro de 2023, os cofres municipais destinaram em torno de R$ 54 milhões em recursos próprios para sustentar a operação sem repassar a conta aos cidadãos.
Pressão inflacionária e aumento dos insumos
A revisão tarifária decorre do encarecimento contínuo dos componentes que movimentam a frota. Entre janeiro de 2023 e julho de 2026, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 18,3%.
Nesse mesmo intervalo, o valor da despesa operacional por quilômetro rodado subiu de R$ 10,07 para R$ 12,07, um avanço de 20%. O cálculo considera gastos com combustíveis, salários de funcionários, encargos trabalhistas, peças de reposição, pneus, manutenção mecânica e seguros da frota.
Questionamentos do Ministério Público e tentativas de economia
A decisão do Executivo foi impulsionada também por intervenções do Ministério Público Estadual (MPE). O órgão cobrou da administração explicações técnicas sobre a viabilidade financeira do modelo, questionando a permanência do congelamento sem reajustes anuais e exigindo garantias de sustentabilidade para o sistema viário.
Antes de determinar o aumento, o município buscou soluções para enxugar as contas da operação. No início de 2026, a Semob implementou reformulações nos itinerários, trajetos e tabelas de horários em linhas que apresentavam baixa procura, visando diminuir a quilometragem percorrida. Contudo, a prefeitura voltou atrás e restabeleceu a grade anterior para atender a pedidos dos usuários. A pasta informou que segue avaliando novos modelos de gestão para qualificar o atendimento urbano.


