Unoeste abre Enepe 2026 com foco no futuro da universidade

Enepe reúne mais de 2 mil inscritos e 1,2 mil trabalhos na Unoeste

Os desafios da educação superior diante da evolução tecnológica ditaram o tom da abertura do Enepe 2026 (Encontro Nacional de Ensino, Pesquisa e Extensão) da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista). Com uma mobilização que ultrapassa 2 mil inscritos e conta com 1,2 mil projetos científicos aceitos, o encontro promove o intercâmbio acadêmico e profissional em sessões presenciais no Teatro César Cava, transmissões virtuais e atividades integradas aos campi de Jaú, Guarujá e polos de ensino a distância.

Lifelong learning e os impactos da tecnologia na carreira

A palestra inaugural, intitulada “Formação universitária para um mundo em transformação”, foi conduzida pela professora Adriana Beatriz Botto Alves Vianna, da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid). Em sua explanação, a docente analisou a relevância contemporânea da graduação diante das ferramentas emergentes e de modelos alternativos de ensino.

“Sabemos que a inteligência artificial está presente e que não podemos deixar de falar sobre isso. Ao mesmo tempo, muito se questiona sobre o valor que uma universidade oferece, especialmente diante da existência de cursos livres e outras possibilidades de formação”, afirmou.

Ao abordar a necessidade do aprendizado ao longo da vida (lifelong learning), a pesquisadora pontuou que o diploma acadêmico deve ser encarado como a etapa inicial de uma capacitação contínua, diferenciando os conceitos de empregabilidade e trabalhabilidade.

“O diploma continua sendo um diferencial, embora, por si só, não garanta o sucesso profissional. Hoje, precisamos falar sobre lifelong learning, ou seja, o aprendizado ao longo da vida. O diploma de graduação é um pontapé inicial para uma formação que não termina”, explicou.

Adriana compartilhou a própria migração da Pedagogia e Educação Especial para os estudos de novas tecnologias, ressaltando a flexibilidade de carreira: “Eu queria ser professora de educação infantil e, atualmente, sou coordenadora de cursos de graduação. Fui mudando meu percurso e buscando me adaptar às transformações do mundo. Se queremos pertencer a esse mundo, precisamos buscar informações, porque o conhecimento faz muita diferença em nossa vida”.

Ela complementou destacando a necessidade mútua de evolução entre docentes e estudantes: “Temos o aluno que está começando sua trajetória e o professor que precisa pensar: ‘Preciso crescer, buscar conhecimento e me atualizar constantemente’. Os dois precisam se atualizar, mas cada um está em uma etapa diferente”.

Compromisso regional e integração tecnológica

A relevância social e a função das instituições de ensino superior no fomento regional também estiveram em pauta. O pró-reitor Acadêmico da Unoeste, José Eduardo Creste, enfatizou o papel da academia como motor de respostas para a sociedade.

“A transformação é muito rápida e, muitas vezes, nos leva a imaginar o que vem pela frente. Muitas dessas novidades passarão pela universidade, que é um ambiente de formação, criação e geração de conhecimento. Isso nos atribui uma responsabilidade muito grande com o país e, especialmente, com a nossa região”, afirmou.

Creste também comemorou o alcance do evento: “O Enepe se consolida como um marco regional e nacional de desenvolvimento e disseminação do conhecimento produzido na universidade”.

Na sequência, o pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão, Adilson Eduardo Guelfi, apontou que a modernização digital precisa caminhar alinhada à pedagogia.

“Além dos vários componentes relacionados à organização, à didática e à sala de aula, temos também um componente tecnológico que não podemos desconsiderar em nossas práticas acadêmicas. Muitas vezes, essa velocidade tecnológica acontece mais rápido do que conseguimos nos adaptar, mas isso nunca deve ser encarado como uma barreira ou uma impossibilidade, e sim como mais um desafio”, afirmou.

Guelfi complementou sobre a visão de futuro da gestão: “Precisamos entender como queremos a nossa universidade daqui a dois, três ou cinco anos. Tenho certeza de que continuaremos preparados para absorver esse mundo em transformação e, principalmente, cumprir nossa missão de oferecer uma formação universitária de qualidade”.

Destaque para a produção científica e Prêmio Fopi

O planejamento do encontro envolve meses de trabalho integrado entre graduação e pós-graduação. Segundo o professor Jair Rodrigues Garcia Júnior, responsável pela comissão organizadora, o trabalho busca refletir as transformações do mercado: “É uma grande responsabilidade, porque, a cada ano, temos o compromisso de superar a edição anterior e melhorar a organização”.

A cerimônia de abertura também sediou a entrega do Prêmio Fopi Mérito Pesquisador 2026, outorgado pela Fundação do Oeste Paulista de Inovação sob liderança de Alexandrius de Moraes Barbosa. A honraria mensura a produtividade acadêmica, publicações em periódicos de prestígio e o estímulo à iniciação científica.

Nesta edição, a pesquisadora Angela Mitie Otta Kinoshita obteve a primeira colocação, seguida pelos cientistas Ademir Henrique Manfre, em segundo lugar, e Guilherme Henrique Dalaqua Grande, em terceiro. A grade de palestras, mesas-redondas e comunicações orais do Enepe segue em andamento até quinta-feira.

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