Falsos caminhoneiros pegam 60 anos de prisão por roubo de cargas

Falsos caminhoneiros são condenados a 60 anos de reclusão por desvio de cargas no oeste paulista

Um grupo especializado em furtar mercadorias fingindo ser motoristas de frete foi condenado pela Justiça do interior paulista a penas que, somadas, ultrapassam 60 anos de reclusão em regime inicial fechado. A decisão da 1ª Vara Criminal de Presidente Prudente ocorreu após investigações conduzidas pela Polícia Civil sobre desvios milionários de produtos na região.

Detalhes da sentença e condenações

A sentença, emitida em 22 de setembro, responsabilizou os três réus pelos crimes de associação criminosa, estelionato, uso de documento falso e adulteração de sinal identificador de veículo. As penas individuais foram estabelecidas em 19 anos de reclusão para dois dos envolvidos, enquanto o terceiro recebeu uma condenação de 22 anos e dois meses devido à sua reincidência. Todos obtiveram o direito de recorrer da decisão em liberdade.

Como agia a quadrilha de falsos motoristas

O esquema criminoso causou um prejuízo financeiro estimado em cerca de R$ 155 mil ao longo do ano de 2020. Entre os crimes cometidos estão o sumiço de 32 toneladas de soja em Itaberá, avaliadas em R$ 52,4 mil, o desvio de 27 toneladas de açúcar em uma usina no distrito de Ameliópolis, no valor de R$ 62,9 mil, e o roubo de uma carga de laticínios em Presidente Prudente, somando R$ 39,7 mil. Os prejuízos finais precisaram ser absorvidos pelas transportadoras lesadas.

Para concretizar os golpes, a organização utilizava dados cadastrais de caminhoneiros legítimos e negociava os fretes por meio de aplicativos de mensagens e plataformas digitais. Na hora da retirada, os falsos condutores utilizavam caminhões com placas clonadas e apresentavam documentação adulterada. As linhas telefônicas empregadas nas tratativas estavam registradas em nome das vítimas e eram operadas a partir da cidade paranaense de Londrina.

Investigação policial e Operação Doce Lar

O caso começou a ser elucidado após os registros de boletins de ocorrência feitos por uma das empresas afetadas. A análise de imagens das câmeras de segurança durante os carregamentos revelou que o mesmo indivíduo havia retirado as cargas de soja e açúcar utilizando identidades e veículos diferentes.

O desdobramento das diligências permitiu identificar que a base logística do grupo criminoso funcionava no estado vizinho, o que resultou na deflagração da Operação Doce Lar em janeiro de 2021. Durante o cumprimento de mandados de busca, os agentes apreenderam celulares, documentos e notas de serviço que atestaram a participação do trio na falsificação de papéis, na adulteração dos veículos e no recrutamento de pessoas para realizar os fretes fraudulentos.

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