Para mitigar desastres decorrentes de secas severas, tempestades e ondas de calor, o governo paulista oficializou um pacote de medidas contínuas que soma R$ 29 bilhões em investimentos previstos até 2029. Estruturado por meio do Plano Estadual de Resiliência às Mudanças Climáticas (PEARC), o projeto reúne 181 ações para transformar a tradicional resposta emergencial em uma política permanente de segurança climática em todo o território estadual, incluindo o oeste paulista.
Transição para monitoramento permanente
Com a iniciativa, a antiga Operação Chuvas foi reformulada para atuar em tempo integral. A nova força-tarefa, batizada de “São Paulo Sempre Alerta – Operação El Niño 2026/2027”, manterá equipes mobilizadas de maneira ininterrupta até o encerramento de 2027, abandonando o modelo exclusivamente focado no verão.
Para garantir respostas rápidas, o Estado ativou um Gabinete Especial que reúne forças de segurança, bombeiros, concessionárias de serviços básicos e secretarias setoriais. Esse comitê adotou um protocolo baseado em quatro cores de prontidão — verde, amarelo, laranja e vermelho —, classificando os municípios de acordo com o nível de severidade climática registrado.
Avisos em tempo real e tecnologia para a população
As cidades do interior, como as da região de Presidente Prudente, contam agora com relatórios meteorológicos divulgados diariamente pelo Centro de Gerenciamento de Emergências da Defesa Civil, contendo estimativas de risco para intervalos de até três dias. O monitoramento também foi reforçado tecnologicamente após a integração do sistema Earth Networks ao Painel de Inteligência estadual, mecanismo que amplia a precisão no rastreamento de tempestades.
Quando houver perigo extremo de temporais ou calor excessivo, notificações emergenciais serão enviadas diretamente aos celulares dos moradores locais via SMS e pela tecnologia Cell Broadcast, recurso que emite alertas na tela do aparelho para possibilitar ações preventivas imediatas.
Impactos na infraestrutura urbana, saúde e campo
O pacote abrange intervenções em diversas áreas prioritárias. Na infraestrutura e habitação, o foco central está na contenção de encostas e drenagem nas rodovias estaduais, além da realocação definitiva de famílias situadas em áreas com vulnerabilidade geológica. O setor do agronegócio também terá suporte adaptado para proteger a produção agropecuária durante estiagens atípicas.
Já no setor sanitário, a Secretaria de Estado da Saúde alinhou protocolos com os Departamentos Regionais de Saúde (DRS) para estruturar a vigilância epidemiológica. O objetivo é manter resposta rápida a surtos de doenças provocadas por vetores ou por problemas no abastecimento de água potável, cenários recorrentes em períodos de estiagem severa ou enchentes.


