As águas do oitavo maior rio do planeta guardam memórias de confrontos, missões católicas e a demarcação das fronteiras nacionais. É nesse cenário que surge a Rota dos Pioneiros, um itinerário fluvial considerado a maior trilha aquática do território brasileiro. O percurso total varia entre 388,8 km e 407 km, exigindo um período de 16 a 27 dias para a conclusão completa da expedição que integra os Caminhos do Peabiru.
O símbolo que serve de guia para os praticantes de ecoturismo exibe uma canoa ou bote cortado por um remo na diagonal, dentro da tradicional pegada de bota. A identificação resume a proposta do trajeto, que une navegação, trilhas a pé e mountain bike, ligando o Parque Estadual do Morro do Diabo (SP) até o Lago de Itaipu (PR).
H2: Marcos históricos e ambientais do trajeto
Antes de se consolidar como polo de turismo ecológico, a área banhada pelo Rio Paraná e seus afluentes — como Piquiri, Paranapanema e Ivinhema — pertenceu ao domínio espanhol e abrigou povos originários como caingangues, caiouás e guaranis.
O roteiro propõe uma viagem ao passado por meio de locais como as Reduções Jesuíticas. No ano de 1556, a Ciudad Real del Guairá foi estabelecida na foz do Rio Piquiri. Já em 1610, padres da Companhia de Jesus fundaram missões permanentes, fazendo com que o Guairá abrigasse 18 reduções e cerca de 200 mil indígenas.
Outro episódio marcante foi o Êxodo Guairenho, ocorrido em 1631. Enfrentando investidas violentas de bandeirantes como Manuel Preto e Raposo Tavares, aproximadamente 12 mil nativos e 700 embarcações realizaram uma imensa travessia pelos rios da região, descendo o Paraná e o Paranapanema à procura de segurança.
H3: Abrangência geográfica e unidades de conservação
O trajeto cruza 18 cidades divididas entre o Centro-Oeste e o Sudeste. No estado paulista, abrange Teodoro Sampaio, Rosana e Euclides da Cunha Paulista. No Mato Grosso do Sul, passa por Taquarussu, Jateí, Naviraí, Itaquiraí, Eldorado e Mundo Novo. No Paraná, contempla Terra Rica, Diamante do Norte, Marilena, São Pedro do Paraná, Querência do Norte, Icaraíma, Altônia, Guaíra e Mercedes.
Os aventureiros cruzam ainda sete Unidades de Conservação, incluindo a Estação Ecológica do Caiuá, o Parque Nacional de Ilha Grande, o Parque Estadual do Morro do Diabo e a Área de Proteção Ambiental das Ilhas e Várzeas do Rio Paraná. A rica biodiversidade local propicia atividades como observação de aves, contemplação da fauna e visitas a cachoeiras e grutas.
H2: Curiosidades culturais e normas de segurança
O relevo e a geografia local escondem detalhes curiosos, como o Morro do Diabo, que se eleva a 600 metros na planície do Pontal do Paranapanema e exibe uma formação rochosa que lembra um trono em seu topo. Os navegantes também cruzam a linha imaginária do Trópico de Capricórnio durante a jornada.
Para encarar as correntes do Rio Paraná com segurança, a organização do trajeto estabelece normas rígidas. É fundamental contar com portos e pontos de apoio estratégicos para acampar e abastecer, além de evitar navegar sozinho ou sob condições climáticas desfavoráveis. O uso de equipamentos obrigatórios, como colete salva-vidas, kit de primeiros socorros e cartas náuticas, é indispensável para todos os praticantes.


